
Centro
Universitário do Leste de Minas Gerais
Curso
de Arquitetura e Urbanismo
Fernanda
Rizza Reggiani Souza Tavares
Kit
Solar: uma proposta para integração dos sistemas de aquecimento de água,
iluminação e eletricidade ao projeto arquitetônico.
Coronel Fabriciano, 15 de novembro de
2013
Fernanda
Rizza Reggiani Souza Tavares
Kit
Solar: uma proposta para integração dos sistemas de aquecimento de água,
iluminação e eletricidade ao projeto arquitetônico.
Monografia apresentada ao
Curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário do Leste de Minas
Gerais, como requisito parcial para a obtenção do titulo de Arquiteta e Urbanista.
Orientação do professor Roberto Caldeira e tendo como coordenadora a professora
Carla Paoliello.
Coronel Fabriciano, 15 de novembro de
2013.
Fernanda
Rizza Reggiani Souza Tavares
Kit
Solar: uma proposta para integração dos sistemas de aquecimento de água,
iluminação e eletricidade ao projeto arquitetônico.
Trabalho de Conclusão de
Curso apresentada ao Curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário
do Leste de Minas Gerais, como requisito parcial para a obtenção do titulo de
Arquiteta e Urbanista.
Aprovada em: 02 de dezembro de 2013.
Por:
---------------------------------------------------------------------------------------
Professor Examinador
Coronel Fabriciano, 15 de novembro de
2013.
Este trabalho é dedicado
ao meu amado marido Marco Antônio, que esteve sempre ao meu lado e à minha
filha Maria Cecília, que por diversas vezes teve que conviver com minha
ausência.
AGRADECIMENTO
Primeiramente agradeço a Deus, pela
força e coragem durante esta caminhada.
Dedico esta, bem como todas as
conquistas neste período de convivência ao meu amado marido, companheiro e parceiro,
Marco Antônio. É impossível não me lembrar de você cada dia da minha vida, você
é o meu sol. Obrigada pelo incentivo e a oportunidade de voltar a estudar. Sem
sua paciência, estímulo e generosidade eu não teria nem começado esta jornada.
E o que dizer da minha filha, que esteve comigo neste projeto desde quando
estava no ventre e por várias vezes participou das aulas, provas e apresentações
de trabalhos! “Obrigada filha por entender quando a mamãe não pôde estar com
você à noite e nos fins de semana. Sempre me esforcei para não perder nenhuma
fase da sua vida!”
E a minha família... Vocês são os meus
alicerces. Obrigada mãe, pai, minha irmã Patrícia, Cristina e José Antônio pela
paciência e por poder contar com vocês para cuidar da Maria Cecília quando tive
que me ausentar. Obrigada ao meu irmão Thiago, minhas cunhadas Thais e Luciana
e a minha amiga Aline Magalhães, por estarem sempre por perto.
Aos amigos da faculdade minha
gratidão, Marcy Souza, Fê Fontes e Bárbara Castro, e pensar que éramos 13
alunos e hoje formaremos apenas 05 com muito orgulho e dedicação. Agradeço em
especial a minha parceira de diversos trabalhos, que por diversas vezes discutimos,
discordamos, sorrimos, choramos, mas no final sempre nos dedicamos para
apresentar o melhor. Valeu Késsia Amaro!!
Aos Mestres todo o meu carinho e
respeito. Ser professor é dividir com o outro o melhor de você.
Aos meus amigos e arquitetos: Laura
Lage, Natalia Brito, Rayanne Morais, Sarah Brito, Tálisson Sinésio, Thayse
Brandão e Vinicius Polastri, que me receberam com muita paciência, sempre me
ajudando a ser uma profissional melhor. Obrigada por tudo Equipe!
FICHA
CATALOGRÁFICA

“Estamos a esgotar as reservas de gás natural e petróleo.
Temos
de preparar o mundo para uma grande mudança e o uso de
fontes de energia
permanentes... como a Energia Solar”
Jimmy Carter – 39º Presidente dos USA
RESUMO
Este trabalho pertence ao contexto das
pesquisas relacionadas à eficiência energética nos edifícios. O foco é ter a
fonte de energia solar como matriz energética de um sistema economizador de
energia, e que será denominado nesta monografia como Kit Solar. Este sistema
será aplicado ao projeto arquitetônico gerando economia para os consumidores
finais.
A proposta deste Kit Solar é a
utilização da fonte de energia renovável para contemplar uma conexão eficiente
entre: iluminação + energia elétrica + aquecimento de água. Em suma um sistema que
esteja interligado ao Projeto Arquitetônico, desde a concepção até o edifício
em uso.
A abordagem deste tema se dá a partir
da tecnologia fotovoltaica como uma forma de geração de energia em edificações.
O objetivo geral é contribuir para uma qualidade final do objeto arquitetônico
além da economia para os consumidores finais.
Palavras-chave: EFICIÊNCIA ENERGÉTICA,
ENERGIA SOLAR, ENERGIA RENOVÁVEL.
ABSTRACT
This academic publication is one of many researches related to energy
efficiency in buildings. The main purpose is to have the solar power as the
main source of energy of an integrated system, which will be presented in this
article as Solar Kit, together with the architectural project and as economy
tool for its occupants.
The proposal of this Solar Kit is the use of the renewable power source
to contemplate an efficient connection between: illumination, electric energy
and water heating. Therefore a system that is linked to the architectural
project, from conception to its use.
The approach taken on this subject is of the fotovoltaica technology as
a form of generating energy in constructions. The objective is to contribute
for the quality of the architectural work beyond economy for the final
consumers.
Word-key: ENERGY EFFICIENCY, SOLAR ENERGY, RENEWABLE ENERGY.
LISTA DE FIGURAS
Figura
1 – Oferta Interna de Energia no Brasil – OIE segundo Resenha Energética Brasileira / exercício de 2012
....................................................................................17
Figura
2 – Manchetes de 2012 ..................................................................................18
Figura
3 – Explicação para a nova resolução 482 da ANEEL, segundo a Empresa Solstício
de Campinas
...............................................................................................31
Figura
4 – Corrente elétrica gerada pela luz solar incidente .....................................35
Figura
5 – Foto de um sistema autônomo na Índia ...................................................36
Figura
6 – Sistema híbrido fornecendo energia a uma residência
............................37
Figura
7 – Foto de um Edifício com fachada fotovoltaica em Freiburg,
Alemanha
..................................................................................................................38
Figura
8 – Sistema fotovoltaico conectado a rede elétrica
........................................40
Figura
9 – Mapa regional de Freiburg .......................................................................41
Figura
10 – Vila Solar, Bairro Sonnenschiff em Freiburg na Alemanha
....................42
Figura 11 – Fazenda de energia solar em Freiburg, Alemanha
(HafenCity University Hamburg, 2010) .........................................................................................................43
Figura
12 – Vila Solar, Bairro Sonnenschiff em Freiburg na Alemanha
....................43
Figura
13 – Como funciona a produção de energia solar em Freiburg, Alemanha ..44
Figura
14 – Sistema auxiliar elétrico .........................................................................46
Figura
15 – Sistema de aquecimento de água mais completo .................................47
Figura
16 – Atlas solarimétrico do Alemanha. Média anual da radiação global incidente
no plano horizontal......................................................................................54
Figura
17 – Atlas solarimétrico do Brasil. Média anual da radiação global incidente no
plano horizontal.....................................................................................................55
GLOSSÁRIO
FEED-IN TARIFF – Mecanismos de compensação que
remunera financeiramente os microgeradores. A título de incentivo à doação, o valor
pago pela energia elétrica injetada na rede é bem superior ao da energia
consumida. O sistema é adotado, por exemplo, na Alemanha, mas não no Brasil.
(fonte: Revista Téchne, São Paulo, SP, edição 198 ano 21 setembro de 2013,
editora PINI.)
GRID TIE – Designação atribuída aos sistemas
interligados à rede de distribuição e capazes de trocar energia com a
concessionária. (fonte: Revista Téchne, São Paulo, SP, edição 198 ano 21
setembro de 2013, editora PINI.)
NET METERING – Modelo adotado no Brasil para
compensação econômica de microgeradores. Baseia-se em créditos gerados quando a
quantidade de energia lançada na rede é maior do que a consumida pelo imóvel.
Esses créditos podem ser usados para abater o valor de outras contas de luz.
(fonte: Revista Téchne, São Paulo, SP, edição 198 ano 21 setembro de 2013,
editora PINI.)
LISTA DE ABREVIATURA E SIGLAS
ABINEE
– Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica:
ANEEL
– Agência Nacional de Energia Elétrica
CEMIG
– Companhia Energética de Minas Gerais
CTE
– Código Técnico de La Edificación, da Espanha.
COPPE/UFRJ
– Instituto Alberto Luiz Coimbra de
Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia / Universidade Federal do Rio de Janeiro
EPE
– Empresa de Pesquisa Energética
ESCOs
– Energy services Company
LABEE
– Laboratório de Eficiência Energética em Edificações (Departamento de
Engenharia Civil da Universidade Federal de Santa Catarina)
LABSOLAR
– Laboratório de Energia Solar (Departamento de Engenharia da Universidade
Federal de Santa Catarina)
MME
– Ministério de Minas e Energia
OIE
– Oferta Interna de Energia
ONU
– Organização das Nações Unidas
PIR
– Planejamento Integrado de Recursos
PROCEL
EDIFICA – Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica e Edificações
SASs – Sistema de Aquecimento Solar
SUMÁRIO
1 – INTRODUÇÃO.....................................................................................................14
1.1 Relevância do
estudo
........................................................................................14
1.2 Objetivos
............................................................................................................20
1.3 Justificativas
......................................................................................................20
1.4 Metodologia
.......................................................................................................21
1.5 Organização
do trabalho...................................................................................21
2 – DESENVOLVIMENTO
.........................................................................................23
2.1 Panorama
histórico............................................................................................23
2.2 Situação
atual da construção civil
...................................................................26
2.3 Desenvolvimento
sustentável e certificações ................................................28
2.4 Legislação
permite que residências forneçam energia elétrica para as concessionárias e
tenham descontos....................................................................30
3 – FONTES RENOVAVEIS DE
ENERGIA ..............................................................33
3.1 Energia
proveniente do sol ..............................................................................33
3.2 Energia solar
e Sistemas fotovoltaicos ...........................................................34
3.2.1 – Sistemas
Fotovoltaicos Autônomos .........................................................36
3.2.2 – Sistemas Fotovoltaicos
Híbridos ...............................................................36
3.2.3 – Sistemas Fotovoltaicos
Interligados à Rede Elétrica ..............................37
3.3 Energia solar
fotovoltaica para auto consumo ..............................................40
3.4 Aquecimento
solar aciona resistências ..........................................................45
4 – PANORAMA ENERGÉTICO ATUAL PARA A GERAÇÃO DE ENERGIA
..........48
4.1 Barreiras e
incentivos sobre geração renovável e eficiência energética em edifícios
....................................................................................................................48
4.2 Aproveitamento
da energia solar em horas de pico de consumo de energia ....................................................................................................................................50
4.3 Porque os
Arquitetos devem assumir um papel importante no Design Sustentável
..............................................................................................................52
5 – ECONOMIA DE ENERGIA E LEGISLAÇÃO URBANISTICA
.............................57
6 – SEMINÁRIO TCCI – EFICIÊNCIA ENERGÉTICA, COM O ENGENHEIRO
ELÉTRICO DA CEMIG FERNANDO ZACCHE .........................................................61
7 – CONCLUSÃO
.....................................................................................................63
REFERÊNCIAS
ANEXOS
1 INTRODUÇÃO
Neste capitulo haverá uma breve abordagem
sobre a relevância da pesquisa de energia solar. Esta energia vem sendo muito
discutida pelos profissionais da construção civil, seja pela economia que gera,
seja pelo apelo sustentável e cada dia mais vem se integrando aos projetos
elétricos das edificações.
A proposta desta pesquisa é projetar
um Kit Solar, que integre a tecnologia fotovoltaica ao projeto arquitetônico
como componente de um sistema eficaz entre eletricidade, aquecimento de água e
iluminação. Este projeto pretende promover, a substituição da energia
convencional por uma energia renovável e como resultado obter redução no
consumo de energia do consumidor final, além de um produto arquitetônico de
qualidade.
1.1 Relevância do estudo
Um dos sinais de que o planeta vem
sofrendo desequilíbrios ambientais são as mudanças climáticas. Estas alterações
estão provocando nos profissionais de diversas áreas, em especial da construção
civil, uma busca por melhores formas de explorar os recursos naturais e com
isso economizá-los, além de também tornar seus projetos mais qualificados, no
que diz respeito a qualidade dos ambientes, menor impacto ambiental e por que
não dizer mais econômicos. Conforme descrito por Letícia Zambrano (2008, pp. 07):
“Diante do clamor do
mundo pelo desenvolvimento sustentável, a indústria da construção vem buscando
melhorar o desempenho global das edificações. Entre os objetivos envolvidos,
destaca-se a redução dos níveis de impactos que se observam pelo setor sobre o
meio ambiente e a primazia pela qualidade dos ambientes internos e boas
relações com os ambientes externos, em contribuição à qualidade de vida das
pessoas”.
Por este motivo, o tema desta
monografia é focado na energia solar, uma energia renovável, em abundância no
nosso país, e também a tecnologia fotovoltaica que vem sendo cada dia mais
utilizada. Não se pode deixar de falar que este tipo de energia é limpa e menos
prejudicial ao meio ambiente.
É importante lembrar que o conceito de
sustentabilidade começou a ser mais discutido mundialmente a partir da Conferência
Mundial sobre o meio Ambiente e Desenvolvimento - Rio 92, um encontro proposto
pela ONU – Organização das Nações Unidas. Até hoje este conceito está
relacionado à busca em minimizar os danos no meio ambiente.
Atualmente existem diversos organismos
envolvidos em melhorar a qualidade ambiental e fomentar a eficiência
energética, entretanto fica claro que a indústria da construção civil é a
responsável por um grande consumo de energia elétrica. Conforme explica
Zambrano (2008, pp. 17) em sua tese de mestrado:
“Os modelos de
desenvolvimento predominantes nos últimos séculos, quando analisados sob o
ponto de vista da construção civil e do crescimento das cidades, demonstram-se
completamente insustentáveis. O relatório da ONU ‘Nosso Futuro Comum’ (Our
Common Future) produzido para o Rio 92 e que é a principal referência relativa
ao tema do Desenvolvimento Sustentável, explica as dimensões da problemática
urbana e do ambiente construído. [...] A indústria da construção civil é
responsável por grande parcela de consumo de energia elétrica produzida pelas
matrizes energéticas deste país, além de ser uma das principais consumidoras de
recursos naturais esgotáveis ou não.”
Considerando o crescimento da
humanidade, a alta demanda por novas construções e com isso um aumento de
consumo de energia elétrica, há a necessidade por novas tecnologias e estudos
que melhor aproveitem as fontes renováveis de energia.
Para que haja mais investimentos em tecnologia
fotovoltaica no mundo e a potencialidade de implantação efetiva no Brasil a ABINEE
- Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica criou o Grupo
Setorial de Sistemas Fotovoltaicos. A citação abaixo é do Presidente da ABINEE,
Sr Barbato (2012),
“A tendência mundial é a busca por novas
fontes de energia que possam atender ao acelerado crescimento da demanda, de
forma não poluente e sustentável. No Brasil, temos todas as fontes energéticas,
sejam as que já estão consolidadas como as que despontam no cenário, a médio e
longo prazo. No caso da geração de energia elétrica a partir de fontes
fotovoltaicas o mercado brasileiro é extremamente promissor. Além do fato do
país possuir, por conta de sua localização geográfica, uma fonte inesgotável do
principal insumo – o sol –, também dispõe da matéria prima essencial para a
produção do silício utilizado na fabricação das células fotovoltaicas.”
Ainda na linha de pensamento do autor
anterior há também de se considerar a fala de Mauricio Tolmasquim, atual
presidente da EPE - Empresa de Pesquisa Energética, uma entidade afiliada ao
MME - Ministério de Minas e Energia, e o Professor de Planejamento Energético
da COPPE/UFRJ, Roberto Schaefer, em entrevista concedida a Globo News para
Míriam Leitão (postada dia 12/09/2013) que afirmou que:
“... o nosso sistema é
muito baseado na energia variável, quer dizer a energia que depende da
natureza. 80% a 90% da geração de energia elétrica no Brasil são renovável, no
mundo 20% é renovável. No Brasil a grande parte da renovável é hídrica. No
passado nós tínhamos grandes reservatórios que foram construídos. E estes
reservatórios permitiam que passássemos até três anos tendo pouca chuva, e o
operador do sistema nacional nem piscava, ficava tranqüilo porque aquela água
estocada no reservatório era uma poupança de combustível que estava ali para
quando fosse necessário. O país foi crescendo, a demanda foi crescendo, a carga
foi crescendo e por diversas razões não se podem construir mais reservatórios.
Portanto a poupança de água ficou menor. Hoje o nosso estoque de água é pra cinco
ou seis meses...”
Conforme fica claro na entrevista
citada acima é importante ressaltar que a fonte de energia renovável hídrica atende
a demanda atual, entretanto é necessário que outras formas de energia
renováveis sejam exploradas concomitantemente para que não haja escassez de
energia no futuro. O Engenheiro Soares (2010) ressalta que diversos países vêm
investindo cada vez mais em fontes renováveis de energia devido às questões
ambientais e buscando suprimentos energéticos sustentáveis.
Torna-se, então, necessário a
definição de políticas e medidas regulatórias para acelerar a difusão de novas
tecnologias renováveis, bem como a consideração da geração local e
descentralizada da energia. Nesta monografia haverá um capitulo onde estas
medidas regulatórias serão mais exemplificadas.
A figura 1 apresenta a estrutura da
Oferta Interna de Energia no Brasil, ficando claro que 42,4% das fontes de
energia são renováveis no Brasil e apenas 13% no mundo. Demonstrando que o
Brasil utiliza energia renovável, há de se desenvolver mais a energia solar.
Figura 1 – oferta interna de energia
no Brasil – OIE

Acessado 08/10/2013
Será apresentada a seguir na figura 2,
diversas manchetes que estiveram expostas em jornais e revistas do ano de 2012,
e que foram compiladas pela revista eletrônica Resenha Energética Brasileira, que
tem por objetivo de “apresentar os principais indicadores de desempenho do setor
energético brasileiro. Nas áreas de petróleo, gás, bioenergia, energia
elétrica, carvão mineral”. Observa-se que as fontes de energia no Brasil são
muito diversificadas e crescentes: (BRASIL, 2012, pp.5):
Figura
2 – manchetes de 2012

acesso 08/10/2013
A história da tecnologia aplicada aos
sistemas de energia vem se desenvolvendo cada vez mais rapidamente e a
possibilidade de um melhor aproveitamento dos recursos naturais tem sido cada
dia mais discutida. Esta pesquisa busca apresentar um sistema, Kit Solar, que
tenha um melhor aproveitamento do sol como fonte de energia renovável para as
edificações. Este kit solar irá promover a substituição da energia convencional
e com isso integrar o sistema de energia elétrica, o aquecimento de água e a iluminação,
além de conseguir ser um sistema que vai gerar economia para o consumidor final.
Para a arquitetura em si, não há nada
mais pertinente do que nos beneficiarmos do uso dos recursos naturais
renováveis, não somente para minimizarmos o impacto ambiental do crescimento
das cidades e da humanidade, como também para tornar a vida dos cidadãos mais
confortável e econômica. Para Soares (2006, pp.14):
“O Brasil é detentor
de excelentes níveis de radiação solar, pois está localizado em uma faixa de
latitude na qual a incidência de radiação solar é elevada, colocando o País em
uma posição privilegiada no que se refere à utilização da energia solar fotovoltaica”.
Esta localização do Brasil, em relação
a radiação solar, é uma característica muito importante para a pesquisa e
também o ponto de partida para um melhor entendimento em explorar mais sobre
este elemento como fonte renovável e inesgotável de energia. Atualmente
utilizamos o sol como fonte energética, apenas como recurso para aquecer a água
principalmente para o banho, em substituição ao chuveiro elétrico. Este assunto
será retomado nos próximos capítulos, quando será feito uma comparação entre a
radiação solar do Brasil e a Alemanha.
Atentando á opinião do Engenheiro
Eletricista Marcus Soares (2010, pp. 14):
“os objetivos no
Brasil para incentivar a utilização das energias renováveis são: o
favorecimento da utilização de recursos locais; o estabelecimento da geração
distribuída em um país de dimensões continentais; o estabelecimento de uma indústria
local; a diversificação da matriz energética; o auxilio no suprimento da
crescente demanda energética nacional, através da utilização de uma fonte complementar
de energia; além da redução dos impactos sociais e ambientais procedentes da
implantação de fontes convencionais de energia. Para que isso aconteça, é
fundamental que seja criado um conjunto de procedimentos que viabilize e
facilite a inserção da tecnologia fotovoltaica no Brasil.”
Esta monografia pretende apresentar um
Kit Solar que tem como matriz energética o sol, a fim de gerar uma qualidade no
projeto arquitetônico e um economia para o consumidor final.
O desenvolvimento irá tratar dos
componentes deste tema são eles: o sistema fotovoltaico, aquecimento de água e
a iluminação. Também serão analisadas as legislações urbanísticas no Brasil e
na Espanha, de forma a observar como vem sendo discutido, em diferentes países,
a eficiência energética.
Será feito uma Analise comparativa
mais detalhada sobre o Código de Obras de Coronel Fabriciano e o CTE Código
Técnico de La Edificación, da Espanha. O objetivo desta comparação é mostrar
que os códigos de obra brasileiros não contemplam critérios de eficiência
energética, entretanto os códigos devem acompanhar o desenvolvimento de novas
tecnologias e com isso trabalhar juntamente com a arquitetura para uma cidade
melhor.
1.2 Objetivos
Realizar um estudo sobre como é
tratado a eficiência energética nas construções, aprofundando na parte que diz
respeito à energia solar como fonte renovável de energia e também como matriz energética
para o Kit Solar.
Desenvolver um sistema que integre os
equipamentos e que proporcionam maior economia de energia nas edificações –
iluminação, aquecimento de água e eletricidade. Além de conseguir utilizar a
fonte de energia solar como matriz energética, para proporcionar um projeto
arquitetônico de qualidade ambientalmente adequado e com eficiência energética.
1.3 Justificativas
Com a tendência mundial em se buscar
alternativas tecnológicas que menos agridam o meio ambiente, a principal
justificativa deste projeto é utilizar do sol como a fonte de energia renovável
e matriz para um sistema integrado, o Kit Solar. A principal função deste Kit é
a geração e produção de energia para a iluminação, aquecimento de água e eletricidade,
utilizada nas edificações.
Há uma preocupação com o Planeta, com
energias renováveis e além de tudo uma preocupação com a economia que poderá
existir com o sistema que será sugerido.
Atualmente em nossa Região, já existe
uma grande preocupação e uma boa aceitação com a energia solar como fonte de energia
para o aquecimento de água obtendo uma maior economia nas contas de energia.
A legislação brasileira não considera
eficiência energética para a aprovação do projeto, como acontece em outros
países, como na Espanha. Acredita-se que analisar as legislações e entender
como é tratado este assunto fora do Brasil é muito relevante.
A princípio, será desenvolvido um
estudo de como a energia solar poderá ser melhor aproveitada no projeto arquitetônico.
A intenção é que, para o TCC II – Trabalho de Conclusão de Curso II, seja desenvolvido
um projeto do Kit Solar.
1.4 Metodologia
Com o propósito de concretizar os
objetivos desta monografia, a metodologia para a execução do trabalho
compreende numa revisão bibliográfica sobre energia solar como uma fonte de
energia renovável, conhecendo e compreendendo como utilizá-la para um melhor
aproveitamento do aquecimento de água, iluminação e eletricidade. A tecnologia fotovoltaica também entra nesta
revisão bibliográfica, sendo apresentado como alguns países vêm tratando e desenvolvendo
esta tecnologia desde o uso até a legislação.
A pesquisa permitirá criar uma
metodologia para o TCC 2. Um projeto, Kit Solar, além de mostrar que ele deverá
ser pensado desde o momento da concepção do produto arquitetônico.
1.5 Organização do Trabalho
Este trabalho é dividido em sete capítulos,
sendo o primeiro de caráter introdutório da apresentação do tema com seus
objetivos, justificativas, metodologias e organização da monografia.
No capítulo 2 será realizada uma
pesquisa sobre o panorama histórico, uma revisão bibliográfica sobre o tema na
atualidade. Além de descrever sobre assuntos relevantes para o trabalho que
tratam de certificações e legislação de fornecimento de energia elétrica.
No capitulo 3 será apresentado as
diversas forma de atuação da energia solar através da tecnologia fotovoltaica,
além de uma abordagem de como a Alemanha vem tratando esta tecnologia. Também
será explicado sobre o aquecimento de água.
No capítulo 4 serão apresentadas as
barreiras que surgiram sobre a eficiência energética além de explicar sobre
melhores horários para o sistema atuar e como os arquitetos em algumas cidades
norte americanas vêm tratando a arquitetura.
No capitulo 5 apresentará uma breve comparação
entre legislações além de dar subsídios para fomentar a proposta do sistema
integrado.
O capitulo 6 é dedicado ao 1 º
Seminário do TCC 1 com o tema: Eficiência Energética.
No capitulo 7 será apresentada a
conclusão e proposta de continuidade do trabalho para o TCC 2.
2 DESENVOLVIMENTO
Neste capitulo além do panorama
histórico, inicia-se uma revisão bibliográfica para saber como energia solar
vem sendo tratada da pré historia até os dias de hoje; uma pequena explanação
sobre sustentabilidade e certificações para edifícios; e a legislação atual
para energia solar. Além de obras de referências que fomentam a pesquisa.
2.1 Panorama Histórico
Durante a
pré-história o homem morava e sobrevivia em suas cavernas sem pensar em
conforto ambiental e em energia, apenas observava e aprendia a conviver com a
natureza sem interferir nela.
Até que, com
a descoberta do fogo tudo muda, o homem começa a tirar proveito da energia
térmica, e com esta energia ele conseguiu mudar seu modo de vida, passou a
fundir metais e criar novos utensílios, pôde fazer cerâmica, cozinhar
alimentos, iluminar sua caverna, enfim mudou seu modo de viver.
Para
Lamberts, Dutra e Pereira (1997),
Vitruvio, no período clássico, entendia por arquitetura um espaço habitável
onde deveria equilibrar 3 aspectos: estruturais – firmitas, funcionais – utilitas
e formais – venustas. Atualmente este
conceito pode agregar outro vértice o conceito de eficiência energética, que
para os autores, pode ser entendida como a obtenção de um serviço com baixo
dispêndio de energia. Ou seja, “um edifício é mais eficiente energeticamente
que outro quando proporciona as mesmas condições ambientais com menor consumo
de energia.”
Ainda segundo Lamberts, Dutra e
Pereira (1997),
na arquitetura vernacular surge à necessidade de aproveitar as
condições climáticas favoráveis e evitar as indesejáveis, por exemplo, o
Heliocaminus, lei criada pelo imperador romano Ulpiano, século II d.C., para
dar o direito ao sol para os romanos. Também o povo de Mesa Verde, Colorado nos
Estados Unidos, construiu suas habitações de forma que no verão quente e seco
suas casas sejam sombreadas e frescas e durante o inverno são aquecidas.
A arquitetura passou por diversas
mudanças durante os anos, exemplo disso é que no período Gótico, a arquitetura
caminhava junto com a arte, por tanto conceber e construir acontecia
simultaneamente, e os problemas eram resolvidos in loco, no Renascimento com a invenção da perspectiva afastou-se
de vez o artista do arquiteto. Com a Revolução Industrial, a construção civil
ganha uma diversidade de materiais tais como o aço e o concreto armado que
acabam por desafiar a tradição. No período entre guerras, surge o Estilo
Internacional. Um de seus precursores Le Corbusier, traz para a arquitetura
inovações como esqueleto estrutural, o terraço-jardim, a planta livre, os
pilotis e o MODULOR, que é a relação proporcional do homem e o espaço
arquitetônico projetado.
Os autores, ainda afirmam que nem
todos os arquitetos tiveram as habilidades de Le Corbusier e, portanto a
arquitetura funcionalista tornou-se meramente um jogo. (LAMBERTS, DUTRA E
PEREIRA, pp. 17, 1997):
“jogo de motivos em fachada ou a uma luta pela
conquista de vãos cada vez maiores em concreto armado. Paralelamente, os
avanços de áreas particulares do processo de construção da arquitetura, entre
elas o conforto ambiental, não eram mais assimilados aos arquitetos.”
Ainda na mesma linha de raciocínio a
influência da arquitetura funcionalista e dos vidros nas fachadas de Mies van
der Roher, cuja consequência atual é (LAMBERTS, DUTRA E PEREIRA, pp. 19, 1997):
“... edifício
“estufa” foi então exportado como símbolo de poder, assim como sistemas
sofisticados de ar condicionado e megaestruturas de aço e concreto, sem sofrer
readaptações às características culturais e climáticas do local de destino. A
arquitetura estava se prostituindo...”.
Um breve
panorama de como o sol é importante para a vida humana e como a iluminação
natural foi deixada de lado com o surgimento da energia elétrica. Segundo
artigo publicado por Belvedere (1993):
“... O
homem adorou o sol durante milênios. Se conseguíssemos ver de sua superfície, a
Terra perceberia que ela é um ponto girando a uma distância de 150 milhões de
quilômetros e que recebe algo como a energia de 10 bilhões de Itaipus. Para que
possamos utilizar a energia do sol que chega à superfície da Terra, precisamos
de transdutores que convertam tal energia diretamente em energia elétrica. O
aproveitamento dessa energia começou a ser utilizada em 1959 nos EUA, como
forma de geração de energia elétrica para os satélites...”.
Com o surgimento da
lâmpada incandescente e, posteriormente, da lâmpada fluorescente, a iluminação
natural ficou em segundo plano nos edifícios residenciais e comerciais.
Para concluir este breve relato histórico da energia, segue o
artigo postado por Ungaro (2013):
“Por
outro lado, após as duas grandes guerras, a crise na questão energética ficou
iminente, cujo ápice se deu em 1973 com a grande crise do petróleo. Em função
disso, medidas de racionamento do consumo de energia foram potencializadas, bem
como cresceu a preocupação mundial em relação aos recursos naturais. Renováveis
e não renováveis Um elevado potencial de economia de energia pode ser alcançado
com a utilização da iluminação natural como fonte de luz para iluminar os
ambientes internos. Além do potencial de economia, a iluminação natural possui outros
benefícios insubstituíveis, tais como: Melhoria no conforto com miminização de
consumo energético; Bem-estar dos indivíduos com aumento de produtividade;
Ótima reprodução das cores naturais.”
Segundo a Revista Téchne, edição 198
ano 21 setembro de 2013, editora PINI – na reportagem Eficiência em casa, (pp.
45.):
“Apesar do grande
apelo ecológico, os sistemas de produção de eólica e fotovoltaica sempre
tiveram demanda inexpressiva no segmento residencial brasileiro. Seu uso
normalmente se restringia a algumas casas mais distantes do tecido urbano e sem
acesso à rede pública. Este cenário, porém, poderá mudar nos próximos anos, com
estímulo dado pelo marco regulatório estabelecido pela Agência Nacional de
Energia Elétrica (ANEEL). A nova regulamentação transforma a rede de
distribuição de eletricidade – até então uma via de mão única – em um sistema
bidirecional, que permite a troca de energia entre a concessionária e o
usuário.”
Atualmente, para construção civil, é
bastante difundida a tecnologia da utilização da energia solar para aquecimento
de água nas edificações. Agora com a nova regulamentação da ANEEL (resolução
482/2011), conforme reportagem acima citada, o uso da energia solar para a
geração de eletricidade poderá em médio prazo reduzir as contas de energia. Entretanto
a viabilidade da implantação do sistema ainda depende de mais investimentos no
setor, para que em breve também melhore custo da implantação do sistema, que
atualmente é o que o torna inviável.
2.2 Situação atual da Construção Civil
Há algum tempo vem sendo cada vez mais
discutido sobre o impacto ambiental gerado pela construção civil. Isto tem
conduzido diversos estudos, certificações e tecnologias para que a demanda por
novas edificações, não tenham um impacto ambiental tão nocivo aos recursos
naturais.
Conforme foi escrito pela Arquiteta Marília
Alves Teixeira (2007, pp. 28):
“com o desenvolvimento tecnológico dos
últimos 100 anos, as vidas da cidade, dos edifícios e do cidadão tiveram
alterações sem precedentes. Questões arquitetônicas que sempre foram
pertinentes para a concepção de um projeto, tais como respeito ao clima
local, cultura, particularidades da região,
estão sendo deixado de lado, resultando em uma arquitetura com características
padronizadas, que compõem um mundo globalizado, onde a identidade fica
neutralizada em meio a grandes marcas, estratégias de mercado e unificação de
costumes. Para manter níveis adequados de conforto ambiental, as edificações
são climatizadas e iluminadas artificialmente, aumentando com isso o aumento do
consumo de energia elétrica".
Vale acrescentar que as tecnologias
que se desenvolveram após a Segunda Guerra Mundial, tais como sistemas
artificiais de iluminação, ventilação e condicionamento de ar, supririam quase
todas as necessidades de conforto para os moradores dos edifícios.
Para Zambrano, Bastos, Slama (2004),
em suma, após a crise da década de 70:
“...Tornou-se importante estabelecer
critérios de projeto que garantissem à arquitetura uma identificação maior com
o lugar, considerando o conforto dos indivíduos e a redução no consumo de
energia. A década de 80 foi marcada por grandes impactos da poluição que começaram
a transpor as fronteiras nacionais, afetando regiões e o planeta, levando às
atuais preocupações com os riscos globais, como a contaminação da água, do ar,
do solo e das cadeias alimentares, o efeito estufa, a explosão demográfica e o
empobrecimento da biodiversidade.” resposta aos grandes impactos ambientais
observados na década de 80, surgiu o conceito de Desenvolvimento Sustentável,
apresentado ao mundo pelo relatório Brudtland, nas Nações Unidas em 1987.”
Na RIO-92, algumas metodologias
surgiram para avaliar os edifícios sobre o cumprimento das metas ambientais
propostas neste encontro. A partir deste encontro a discussão sobre
sustentabilidade começa a entrar em pauta na construção civil visando sempre o
menor impacto junto à natureza. Ainda como resultado deste encontro começou a
estudar mais sobre eficiência energética, fontes de energia renováveis, economia
e tratamento da água e do esgoto. Ainda segundo a arquiteta Marília Teixeira
(2007):
“diante deste quadro, o arquiteto tem papel
fundamental ao conceber projetos que demonstrem preocupações com a qualidade
das construções, não somente do ponto de vista ambiental e econômico, como
também do ponto de vista do usuário e de seu nível de conforto. Deve ainda
estar atento ao compromisso de realizar novos projetos ou adequações em edifícios
existentes que possam cumprir esta tarefa de se ajustar às novas exigências de
hoje, processo irreversível para se obter uma relação harmônica entre o homem,
o ambiente construído e a natureza.”
Fica claro para os autores Keeler e
Burke (2010) que:
“... devemos nos
preocupar com a energia que consumimos para operar as edificações que vivemos,
devido a quatro razões:
1 – a maioria dos
combustíveis que usamos para gerar energia é renovável, e sua reserva pode esgotar;
2 – os depósitos de
gás natural são limitados;
3 – é crescente a
demanda de consumo;
4 – o carvão mineral o
recurso energético mais abundante vos EUA, cuja queima é responsável pela maior
parte da eletricidade disponível do país emite gases para a atmosfera,
contribuindo para a alteração radical do clima do planeta [...] A relação entre
a energia consumida pela construção, o uso das edificações e os problemas
ambientais do planeta é indiscutível.”.
Como se vê este trabalho pode
contribuir para a arquitetura atual ao pensar em uma forma que utilize o sol
como matriz de fonte de energia renovável e que vise o conforto e a economia
para os moradores além de minimizar os impactos ambientais causados pela
construção de novas edificações.
2.3 Desenvolvimento Sustentável e Certificações
É difícil analisar o conceito de sustentabilidade
apenas pelo viés da energia solar, pois este é um termo muito complexo que atende
a um conjunto de variáveis interdependentes. Entretanto podemos dizer que o
desenvolvimento sustentável deve ter a capacidade de
integrar as questões sociais, energéticas, econômicas e ambientais.
Nos Estados Unidos vem
sendo discutido sobre o conceito de edificação sustentável, segundo Keeler e
Burke (2010, pág. 49),
“O conceito de edificação sustentável advém naturalmente da
historia fértil do ambientalismo. Até 10 anos atrás, porém, essa expressão nos
fazia pensar em uma filosofia corajosa, embora primitiva, cujos adeptos
desejavam viver de maneira independente, afastando-se da sociedade. [...] A
abordagem da edificação integrada, que considera o ciclo de vida em todos os níveis,
é essencial para a definição contemporânea de edificação ou construção
sustentável.”
Com a finalidade de
preservar o meio ambiente para não comprometer os recursos naturais das
gerações futuras, a proposta deste trabalho é criar um sistema integrado, que
utiliza da energia solar como fonte para geração de eletricidade, aquecimento
de água e iluminação.
Atualmente, com o foco na
sustentabilidade, a preocupação com a reciclagem e com melhores aproveitamentos
de recursos renováveis estão sendo cada dia mais discutido. Por este motivo têm
sido criados diversos tipos de certificações e etiquetagens, entretanto serão citados
dois programas nacionais: o Procel Edifica e o Conpet.
O PROCEL EDIFICA:
“O Programa Nacional de
Eficiência Energética em Edificações – PROCEL EDIFICA foi instituído em 2003
pela ELETROBRAS/PROCEL e atua de forma conjunta com os Ministérios de Minas e
Energia, o Ministério das Cidades, as universidades, os centros de pesquisa e
entidades das áreas governamental, tecnológica, econômica e de desenvolvimento,
além do setor da construção civil.
O PROCEL promove o uso
racional da energia elétrica em edificações desde sua fundação, sendo que, com
a criação do PROCEL EDIFICA, as ações foram ampliadas e organizadas com o
objetivo de incentivar a conservação e o uso eficiente dos recursos naturais
(água, luz, ventilação etc.) nas edificações, reduzindo os desperdícios e os
impactos sobre o meio ambiente.
O consumo de energia elétrica nas edificações corresponde a cerca de 45% do consumo faturado no país. Estima-se um potencial de redução deste consumo em 50% para novas edificações e de 30% para aquelas que promoverem reformas que contemplem os conceitos de eficiência energética em edificações.
Buscando o desenvolvimento e a difusão desses conceitos, o Procel Edifica vem trabalhando através de 6 vertentes de atuação: Capacitação, Tecnologia, Disseminação, Regulamentação, Habitação e Eficiência Energética e Planejamento.”.
O consumo de energia elétrica nas edificações corresponde a cerca de 45% do consumo faturado no país. Estima-se um potencial de redução deste consumo em 50% para novas edificações e de 30% para aquelas que promoverem reformas que contemplem os conceitos de eficiência energética em edificações.
Buscando o desenvolvimento e a difusão desses conceitos, o Procel Edifica vem trabalhando através de 6 vertentes de atuação: Capacitação, Tecnologia, Disseminação, Regulamentação, Habitação e Eficiência Energética e Planejamento.”.
O CONPET
é um Programa do Governo Federal, vinculado ao Ministério de Minas e Energia –
MME, e executado com o apoio técnico e administrativo da Petrobras, conforme
site conpet. gov. acessado dia 10/09/13. Ambos os programas atendem a população
visando à eficiência energética do produto adquirido e a economia na conta de
luz, o que, de certa forma, está diretamente ligado com um dos objetivos deste
estudo que é a eficiência e a economia energética. Entretanto, a proposta em tornar
a utilização da energia solar como fonte de energia principal das edificações
pode fazer com que a economia de custos de consumo seja muito relevante.
Segundo artigo no site do MMA – Ministério do Meio Ambiente:
O CONPET foi instituído por
decreto federal em 1991, como Programa Nacional da Racionalização do Uso dos
Derivados do Petróleo e do Gás Natural. Seu principal objetivo é incentivar o
uso eficiente destas fontes de energia não renováveis no transporte, nas
residências, no comércio, na indústria e na agropecuária. Para ser
implementado, seguiu as mesmas diretrizes do Procel e, assim como este, é
conduzido pelo Ministério de Minas e Energia. O CONPET realiza ações
estratégicas que visam, entre outros objetivos, reduzir o consumo de óleo
diesel e a emissão de fumaça preta; difundir o uso do gás natural como
combustível; estimular novas tecnologias no setor de eletrodomésticos; estimular
empresas do setor a racionalizar energia; e educar as novas gerações para os
conceitos de racionalização, economia sustentável e qualidade de vida. Os
projetos, de abrangência nacional, dependem de parcerias com o governo e com
escolas, empresas, sociedade civil e consumidor final. Conforme o Plano Decenal
de Energia (PDE 2007-2016,) o CONPET promove a economia de mais de 300 milhões
de litros de diesel anualmente, evitando a emissão de cerca de 360 mil
toneladas de CO2 e de 19 mil toneladas de material
particulado.
2.4 Legislação permite que residências forneçam energia elétrica para as concessionárias e tenham descontos.
Conforme
descrito nesta pesquisa, a entrevista entre a Mirian Leitão e os Srs. Maurício
Tolmasquim e o Prof. Roberto Schaefer, fica evidente que as hidrelétricas
atendem a demanda atual porem não há recursos suficiente para um período de seca
mais demorada. Portanto é muito importante que as
distribuidoras/concessionárias de energia participem ativamente de novos
processos e tecnologias para que os consumidores não sofram com apagões que
causam tantos prejuízos.
A nova
resolução de 2012 da ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica – ou
simplesmente Resolução 482 – que estabelece segundo a Empresa Solstício de
Campinas em artigo postado por Lima, Ivamoto, Hannickel:
“as condições gerais para a conexão à rede da
microgeração (potência instalada menor que 100kWp) e minigeração (potência
instalada entre 100kWp e 1MWp) distribuída no Brasil e criou o Sistema de
Compensação de Energia. Este permite que sistemas fotovoltaicos – e outras
formas de geração de energia a partir de fontes renováveis com até 1MW de
potência instalados em residências e empresas – se conectem a rede
elétrica de forma simplificada, atendendo o consumo local e injetando o
excedente na rede, gerando créditos de energia. Desta forma, é possível
praticamente zerar a conta de luz com o uso da energia solar, pagando apenas o
custo de disponibilidade da rede. Quando um sistema fotovoltaico estiver
gerando eletricidade, esta será consumida no local. Caso a geração seja maior que
o consumo, o excedente é injetado na rede elétrica, gerando créditos
de energia.
Quando a geração for menor do
que o consumo, será utilizada a energia da própria rede elétrica. Os créditos
de energia possuem o mesmo valor da eletricidade da rede e podem ser utilizados
para abater o consumo, diminuindo assim o valor da conta de energia.
Ao
final do mês, é realizado o balanço de quanto foi injetado e quanto foi
consumido. Caso em um mês a geração tenha sido maior que o consumo, os créditos
de energia podem ser utilizados nos meses seguintes com validade de 36 meses.
Esses créditos também podem ser utilizados para compensar o consumo de outras
unidades previamente cadastradas para este fim e atendidas pela mesma
distribuidora – cujo titular tenha o mesmo CPF ou CNPJ da unidade com sistema
fotovoltaico.
Ainda
de acordo com a Resolução 482, o consumidor deverá pagar à distribuidora de
energia o custo de disponibilidade da rede.”.
Figura 3 – explicação da
nova resolução 482

Acesso
01/10/2013.
Também em artigo para a Revista
Téchne, Martins e Faria (2013) descrevem sobre o mesmo tema do artigo acima
citado, e acrescenta mais dois cases
que já estão acontecendo no Rio de Janeiro, o primeiro é no bairro Santa
Tereza, onde o alemão Hans Rauschmayer, instalou em sua residência um sistema
de painéis fotovoltaicos capaz de gerar um excedente de 40% de energia elétrica
e participará do projeto piloto da concessionária Ligth. Para Rauschmayer “o
objetivo da casa era primeiro ver na prática como isso funciona no Brasil. Sou
alemão e lá tem muita gente produzindo energia solar. Temos fornecedores e
acessórios, mas no Brasil isso não existe ainda, estamos começando a criar o
mercado.”
O segundo caso é a Arquiteta Isabelle
de Loys, no bairro dos Bandeirantes, onde foi instalado o sistema de captação
solar em sua Home Office. Os painéis fotovoltaicos foram instalados no telhado
e integrados também na fachada da residência.
No caso da Arquiteta Isabelle a instalação foi concluída em junho de
2013 e interligada a rede da Ligth no mês seguinte, “durante três semanas,
ainda sem estar conectado à rede – houve redução de 40% no consumo de energia.”.
Ainda na reportagem fica claro que, o
que inviabiliza o sucesso da tecnologia é o alto custo de aquisição dos
equipamentos.
“Como não existe uma
indústria nacional consolidada, o material normalmente é importado e tributado,
com preços sujeitos à variação da cotação do dólar. A consolidação de uma indústria
nacional e o aumento da oferta de equipamento poderia implicar alguma redução
nos preços, aliviando o investimento inicial dos pequenos consumidores”.
3 FONTES RENOVAVEIS DE ENERGIA
Neste capitulo terá uma explicação de
como vem sendo desenvolvido, atualmente, a tecnologia fotovoltaica e suas
formas de uso.
3.1 Energia proveniente do sol
Segundo Tiradentes, Átalo (2006,
pág.11/12):
“O sol é, sob todos
os aspectos, responsável direto pela manutenção da vida em nosso planeta; e é a
origem de todas as formas de energia conhecidas, direta ou indiretamente.
É uma imensa bola de
gases incandescente com um volume cerca de 1,3 milhões de vezes o volume do
planeta. Uma gigantesca usina de força que consome quatro milhões de toneladas
de matéria por segundo, mas ainda continuará a aquecer e iluminar a Terra por
alguns bilhões de anos. A energia que a Terra recebe do Sol anualmente é
estimada em 1,7x1017W. Este número corresponde a cerca de 10000 vezes o consumo
mundial de energia em todas as formas conhecidas. Em comparação com todas as
outras formas de energia utilizadas no nosso planeta, podemos dizer que o Sol é
uma fonte inesgotável de energia...”
Seguem alguns dados relevantes sobre a
energia do Sol. Conforme acessado dia 02/10/2013, no site do Instituto de
Física/UFRGS :
“A distância do Sol a
Terra é igual a uma unidade astronômica (1 UA), que corresponde a 1,499.108 km,
tal distância foi determinada em 1673. Conhecendo a distância do Sol, foi
possível determinar a sua luminosidade, que é a potência que ele produz. Cada
metro quadrado na Terra recebe do Sol uma potência de 1400 watts, ou seja, 1400
joules por segundo, que corresponde à potência de 14 lâmpadas de 100 watts.
Essa quantidade de energia corresponde à queima de 2.1020 galões
de gasolina por minuto, mais de 10 milhões de vezes a produção anual de
petróleo na Terra.”
Evidenciou-se a partir destes enfoques
que, apesar de todos os aspectos positivos sobre a energia solar: ser
abundante, renovável, limpa, ela ainda é pouco utilizada, pois os custos
financeiros com as instalações para a obtenção desta energia são muito
elevados, não são viáveis economicamente.
Normalmente, a energia solar é
utilizada em locais mais ensolarados. Em Israel, aproximadamente 70% das
residências possuem coletores solares, outros países com destaque na utilização
da energia solar são os Estados Unidos, Alemanha, Japão e Indonésia. No Brasil,
a utilização de energia solar está aumentando de forma significativa, principalmente
o coletor solar destinado para aquecimento de água.
3.2 Energia solar e os sistemas fotovoltaicos
Conforme artigo da Revista Téchne,
Edição 188 (ano 20 novembro de 2012, p.75):
“A energia solar
fotovoltaica é a energia elétrica gerada a partir da radiação solar. Em um
primeiro momento, foi utilizada apenas em locais remotos, sem acesso à rede
elétrica, com auxilio de baterias. Atualmente, 95% dos sistemas fotovoltaicos
do mundo são conectados à rede (Grid Tie) e funcionam de forma integrada, trocando
energia com a rede pública. Esses sistemas podem substituir as fontes já
existentes e , quando produzem energia na própria unidade consumidora, são
chamados de geração distribuída ou geração para autoconsumo”
A energia solar é uma fonte limpa e
traz vantagens para o consumidor que pode reduzir ou até mesmo zerar sua conta
de luz. A geração de energia fotovoltaica é uma tecnologia altamente modular,
com ausência quase total de emissão de poluente e de ruídos durante o
funcionamento e baixa exigência de manutenção. Para Soares (2010, pág.19):
“o sistema
fotovoltaico é constituído por painéis fotovoltaicos, o modulo mais importante
do sistema, os quais convertem a irradiação solar em eletricidade a partir de
processos que se desenvolvem ao nível atômico nos materiais de que são
constituídas – efeito fotovoltaico. As células de painéis fotovoltaicos são
constituídas por pelo menos duas camadas de material semicondutor, onde é
produzida a corrente elétrica. O material semicondutor mais utilizado é o
silício [...] A carga externa poderá ser vista como um dispositivo que
necessite de corrente elétrica, seja uma lâmpada, uma bateria ou até mesmo a rede
elétrica, conforme figura 4.”
Figura
4 – corrente elétrica gerada pela luz solar incidente

Fonte: Marcus Soares (2010, p.19)
acesso: 04/10/2013
A obtenção de energia elétrica ocorre
de forma direta ou indireta.
A forma direta de obtenção se dá através de células fotovoltaicas, geralmente feitas de silício. A luz solar, ao atingir as células, é diretamente convertido em eletricidade. No entanto, essas células fotovoltaicas apresentam preços elevados. O efeito fotovoltaico ocorre quando fótons (energia que o Sol carrega) incidem sobre os átomos, proporcionando a emissão de elétrons, que gera corrente elétrica.
A forma direta de obtenção se dá através de células fotovoltaicas, geralmente feitas de silício. A luz solar, ao atingir as células, é diretamente convertido em eletricidade. No entanto, essas células fotovoltaicas apresentam preços elevados. O efeito fotovoltaico ocorre quando fótons (energia que o Sol carrega) incidem sobre os átomos, proporcionando a emissão de elétrons, que gera corrente elétrica.
Para obter energia elétrica a partir
do sol de forma indireta, é necessária a
construção de usinas em áreas de grande insolação, pois a energia solar atinge
a Terra de forma tão difusa que requer captação em grandes áreas. Nesses locais
são espalhadas centenas de coletores solares.
3.2.1 Sistemas Fotovoltaicos Autônomos
Existem os sistemas fotovoltaicos
autônomos, que são instalados sem conexão a nenhuma rede elétrica, usualmente
utilizam algum sistema auxiliar de armazenamento de energia.
Figura
5 – Sistema autônomo na Índia

Fonte: Marcus Soares (2010, p.21)
Acesso: 04/10/2013
3.2.2 Sistemas Fotovoltaicos Híbridos
Os sistemas fotovoltaicos híbridos que
também são independentes da rede de distribuição elétrica, alimentando
diretamente cargas isoladas, onde se
combinam com outros conversores de energias renováveis, por exemplo, um gerador
eólico ou ate mesmo um gerador a combustível. Para Soares (2010, p.22) “Um
sistema deste tipo constitui uma boa escolha para aplicações que necessitem de
uma alimentação permanente e de uma potência relativamente elevada e quando não
se pretende efetuar alto valor de investimento...”
Figura
6 – Sistema híbrido fornecendo energia a uma residência.

acesso:
25/11/2013
3.2.3 Sistemas Fotovoltaicos Interligados à Rede Elétrica
Os sistemas fotovoltaicos utilizados de
forma integrada à rede elétrica operam como micro usinas geradoras em paralelo
com as usina convencionais.
Segundo Soares (2010, p. 23):
“... Neste caso,
dispensa-se o sistema de armazenamento energético (baterias de acumuladores),
evitando seu elevado custo de manutenção necessária, pois devido à conexão com
a rede elétrica, nos períodos de baixa radiação solar, a rede convencional
supre a demanda da instalação. Os sistemas fotovoltaicos conectados a rede
elétrica podem ser classificados em dois grandes grupos: os que estão
integrados arquitetonicamente as edificações, como no telhado ou fachada de um
prédio, conforme ilustrado na figura 6, localizados junto ao ponto de consumo;
e os que estão instalados de forma centralizada em determinado local, como em
uma usina geradora convencional, localizados a certa distância dos consumidores
aos quais se conectam por meio de linhas elétricas de transmissão e/ou transmissão.”
Figura 7 – Edifício com fachada fotovoltaica em Freiburg,
Alemanha.

Acesso: 04/10/2013
Um dos grandes benefícios do sistema
de produção de energia fotovoltaica ligados à rede é a tendência para a
descentralização da produção elétrica. A
rede assume o papel de uma bateria de acumuladores. Para Soares (2012, p.24):
“...os fluxos de
energia proveniente da interligação à rede de um sistema fotovoltaico são
constituídos basicamente pela energia elétrica fornecida á habitação procedente
dos módulos fotovoltaicos ou da rede, em períodos de irradiação insuficiente) e
do excedente da produção de energia elétrica, fornecido pelos módulos, que é injetado
na rede, conforme a figura 8.”
Com relação aos critérios de
interligação à rede é importante considerar que no Brasil não existe uma
legislação que padronize critérios de interligação de sistemas fotovoltaicos à
rede, há algumas exigências por parte da concessionária de energia elétrica, as
quais buscam, basicamente, dois objetivos:
1 – não alterar as condições de
segurança nem a qualidade da energia fornecida aos clientes;
2 – não criar condições perigosas de
trabalho para o pessoal da manutenção da rede de distribuição.
Para
Pereira e Gonçalves (2008, p.31):
“Deve
ser providenciado pelo proprietário da planta fotovoltaica, sistemas de
proteção apropriados, com relés de sobrecorrente simples e direcionais [...]
por sua vez, a concessionária deverá adequar o esquema de sua subestação de
interconexão, provavelmente previsto para operação radial para as novas
condições de funcionamento com fluxo de energia nos dois sentidos da
interconexão. Assim, é importante relacionar condições técnicas prévias a serem
atendidas pelo proprietário da planta fotovoltaica e pela rede da
concessionária.”
Figura
8 – sistema fotovoltaico conectado a rede elétrica.

Fonte: pereira e Gonçalves (2008, p.29)
acesso: 04/10/2013
3.3 Energia solar fotovoltaica para autoconsumo
A maior vantagem para o consumidor
final do autoconsumo é a redução do valor de sua conta de energia, que segundo
artigo, dos irmãos Raphael e Pedro Pintão, a Revista Téchne (edição188, ano 20
novembro de 2012, p.75) até 50% do valor da conta são impostos e encargos, e
que no Brasil os sistemas de até 100kw são considerados microgeração, o que
minimiza a burocracia e as exigências para a conexão à rede elétrica.
Até pouco tempo atrás o sistema
fotovoltaicos eram colocados nos telhados e atualmente a geração de
eletricidade fotovoltaica já vem mudando a arquitetura das cidades, conforme
aconteceu com a Cidade de Freiburg, localizada no sudoeste da Alemanha. Esta
cidade do século XII é o atual maior símbolo de consciência sustentável e ecológica.
Segundo Neiva Motta (2010), existe 500 km de ciclovia e 200 mil bicicletas para
100 mil veículos na cidade o que demonstra que a preocupação com a natureza e o
bem estar vai além de apenas não usar veiculo motorizados. Ainda neste artigo,
Motta (2010) reflete sobre o sistema fotovoltaico,
“A cidade mais verde
do planeta investe em energia limpa. Com quase 400 metros de
equipamentos que produzem eletricidade com a luz do sol, a usina é regida por
moradores e tem 1.780 painéis solares, com isso a economia de luz caiu em 90%.
As casas são construídas com isolamento térmico. Para o arquiteto Meinhard
Hansem, idealizador do projeto, esse fator propicia um ambiente livre de
instalação de aquecedores num clima que pode chegar a dois graus abaixo de
zero. As janelas possuem vidros duplos e borrachas e quando maiores permitem
uma boa entrada de luz. E quando aumenta um pouco a temperatura, o isolamento
térmico não deixa o calor entrar, deixando o clima agradável. Enquanto os
torcedores estão de olho no campo, o telhado do estádio de futebol de Freiburg
serve de mini estação de energia, que abastece nove mil pessoas por ano.”
Figura
9: mapa regional de Freiburg

Fonte: http://eficienciaenergtica.blogspot.com.br/2012/08/cidade-solar-freiburg-2.html acesso: 04/10/2013
Na cidade de Freiburg tem o bairro
Sonnenschiff, projetado por Rolf Disch, que enfatiza a produção de energia de
forma sustentável e eficiente em especial com o uso da tecnologia fotovoltaica.
Estes Edifícios podem gerar até 4 vezes toda a energia que consome. Ainda tem o
investimento em fazendas fotovoltaicas para minimizar o consumo das demais
formas de geração de energia. Conforme veremos através das fotos:
Figura
10: Vila Solar, Bairro Sonnenschiff em Freiburg na Alemanha.

Fonte: http://mobilidadesustentavel.blog.uol.com.br/arch2010-05-01_2010-05-31.html acesso: 04/10/2013
Figura 11: Fazenda de energia solar em Freiburg, Alemanha
(HafenCity University Hamburg, 2010).

Acesso: 04/10/2013
Figura
12: Vila Solar, Bairro Sonnenschiff em Freiburg na Alemanha.

Fonte: http://jornalpositivo.pt/ambiente/cidade-solar-na-alemanha-produz-4-vezes-a-energia-que-consome/
Acesso: 04/10/2013
Figura
13 – Como funciona a produção de energia solar em Freiburg, Alemanha.

Acesso: 04/10/2013
Este exemplo da Alemanha nos faz
refletir por que o Brasil, que tem uma alta incidência de sol não tem explorado
mais este recurso. O alto custo de investimento para esta tecnologia, talvez
seja uma das respostas. Conforme o artigo, dos irmãos Raphael e Pedro Pintão
(2010).
“No Brasil, existem
poucos sistemas instalados conectados à rede, mesmo havendo um grande potencial
energético. A enorme queda nos preços dos painéis e a recente resolução nº 482
da Agencia Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), aprovada em abril de 2012 e
que entrou em vigor em dezembro/2012, acelerou a procura e deve impulsionar
ainda mais a adoção dessa tecnologia.”
Com tudo que foi exposto neste capítulo,
acredita-se que a inserção do sistema fotovoltaico tende a crescer cada dia
mais, pela tecnologia com cunho sustentável e pelo preço que está diminuindo,
ainda que o investimento seja alto ele se paga com a economia. A arquitetura
tem que aproveitar este sistema que não é novo, mas é muito atual para melhorar
cada vez mais a qualidade dos espaços arquitetônicos além de gerar economia
para o consumidor final.
3.4 Aquecimento solar para água
Assim como no sistema fotovoltaico
para autoconsumo, o sistema de aquecimento de água visa a economia nas contas
de energia das residências. A maior diferença entre os dois sistemas é que o
aquecimento de água vem sendo utilizado há muitos anos nas construções e
atualmente está conseguindo se popularizar. Todo o sistema é explicado e
detalhado no artigo para a Revista Téchne, por Mesquita (2011, pp. ):
“Os sistemas de
aquecimento solar (SASs) são denominados pelo modelo de coletor utilizado, e
que no Brasil se dividem em dois tipos principais: coletor aberto, para piscina
(de material plástico sem fechamento de vidro). O coletor aberto tem como
diferenciais ser fabricado com material plástico, mais resistente aos agentes
químicos utilizados no tratamento da água da piscina, e também não possui
vidro, pois a temperatura ideal (entre 26º e 27º) é inferior à temperatura de
banho (próxima a 40º). No sistema de aquecimento de piscina o reservatório
térmico é a própria piscina, que receberá a água aquecida pelos coletores.
O coletor fechado é
utilizado para banho, constituído de:
- caixa externa:
geralmente feita de alumínio;
- isolamento térmico:
normalmente em lã de vidro, lã de rocha ou espuma de poliuretano, tendo como
função minimizar as perdas de calor para o ambiente externo;
- tubos (chamados de
flauta e calhas superior e inferior): normalmente de cobre, são os tubos pelos
quais o fluido escoa no interior do coletor;
- placas absorvedoras
(aletas): feitas de alumínio ou de cobre, pintadas de preto fosco, são
responsáveis pela absorção e transferência de energia solar para o fluido de
trabalho;
- cobertura
transparente: geralmente de vidro, policarbonato ou acrílico, permite a
passagem da radiação solar e minimizar a perda de calor por convecção e
radiação para o ambiente externo.”
Abaixo a figura 14 com a implantação
do sistema para aquecimento de água em uma casa, percebe-se como a água fria
passa da caixa d’água até o sistema de aquecimento passando pelo coletor solar,
boiler e como é distribuído para o chuveiro e para as torneiras da casa. A
figura 15 é um detalhamento deste mesmo sistema, apresentando todo o sistema.
Figura
14: sistema auxiliar elétrico

Acessado: 10/10/2013
Figura
15: sistema de aquecimento de água mais completo

Acessado: 10/10/2013
Conclui-se, portanto que apesar dos
entraves na questão de viabilidade é importante observar que quanto mais
utilizado for o sistema fotovoltaico mais rápido ele conseguirá ter um preço
acessível, assim como aconteceu com o sistema de aquecimento solar para água.
4 PANORAMA ENERGÉTICO ATUAL PARA GERAÇÃO DE
ENERGIA
4.1 Barreira e incentivo sobre geração renovável e eficiência energética em edifícios.
Em artigo postado por Luiz Sigimoto
(2013) diz que:
As
edificações são responsáveis por 44,7% do consumo total de eletricidade no
Brasil, sendo que esta participação está dividida em fatias de 22,1% para os
edifícios residenciais,15% para os comerciais e 7,6% para os prédios
públicos.
Ainda que a crise energética de 2001 tenha induzido a uma
redução do consumo nos edifícios brasileiros, essa tendência foi revertida nos
anos subseqüentes. A demanda por eletricidade vem apresentando aumento superior
ao do PIB e é alta a estimativa de crescimento do consumo nos edifícios,
considerando a estabilidade econômica aliada a uma política de melhor
distribuição de renda no país.
A
avaliação de que esses dados, por outro lado, apontam o setor de construções
como de grande potencial para conservação
de energia e
mitigação das emissões de gases de efeito estufa (GEE).
Sigimoto (2013) usa dos argumentos de Aline Tripodi, acadêmica de
economia, em sua tese de mestrado apresentada na Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM) da
Unicamp, que justificaria as políticas regulatórias no Brasil:
“[...] A principal conclusão da
pesquisa é que o quadro regulatório no Brasil ainda precisa ser aprimorado,
para que medidas de eficiência energética e geração renovável se tornem
mandatórias para as edificações”, afirma Aline Tripodi.
“Esse
contexto mostra a relevância do conceito de Planejamento Integrado de Recursos
(PIR), que representa uma visão alternativa ao planejamento feito, por exemplo,
antes do choque do petróleo, quando a preocupação era em expandir a oferta,
considerando apenas o custo econômico.”
Ainda citando
Sigimoto (2013 apud Aline Tripodi 2013), que faz um estudo das políticas
regulatórias sobre Eficiência Energética, da Alemanha em comparação com o
Brasil:
“[...]
o país, Alemanha, ficou em primeiro lugar na avaliação de políticas nacionais
para fomentar a eficiência energética e obteve uma posição de destaque também
em medidas específicas para as edificações. Minha primeira percepção é de que a
Alemanha possui uma gama bem maior de instrumentos políticos que o Brasil” [...].
“O contexto é completamente diferente, devemos
considerar a economia dos dois países, a sociedade e o clima: se o código de
edificação alemão preza pela redução do consumo de energia para aquecimento,
por exemplo, aqui seria para resfriamento. Uma vantagem nossa é que os edifícios
brasileiros são mais novos, enquanto os alemães são em sua maioria antigos,
sendo mais viável aplicar uma estrutura sustentável num edifício em construção
do que reformar um edifício já existente.”
Um ponto considerado relevante do artigo é quando o autor escreve sobre
as ações voluntárias, que nada mais é do que certificações buscadas por
empresas privadas. Acredita-se que um dos maiores motivos para que isso
aconteça seja justamente a falta de regularizações eficientes para a tarifação,
acredita-se que também a falta de interesse do governo em investir para
melhorias sejam bons motivos para incentivar estas etiquetagens. Para Sigimoto:
“De acordo com Aline Tripodi, muitas iniciativas
brasileiras são ainda voluntárias, como é o caso dos certificados de desempenho
e etiquetagem de edifícios. A informação que ela obteve para a dissertação dá
conta de que, no Brasil, estuda-se a regulação da etiquetagem obrigatória
inicialmente para prédios públicos. Ainda assim, alguns certificados
voluntários têm sido bastante difundidos nas edificações brasileiras, a exemplo
dos selos LEED (sigla em inglês para Liderança em Energia e Design Ambiental) e
AQUA (Alta Qualidade Ambiental), reconhecidos internacionalmente.”
No artigo Sigimoto (2013 apud Aline Tripodi 2013) ainda considera que a
maioria das iniciativas brasileiras é voluntária:
“O Brasil é o quarto país no mundo em número de edifícios
com certificação LEED. Mas são as próprias construtoras que estão vendo esses
selos como uma exigência de mercado no futuro. Sem uma legislação, não há
certeza de que todos os edifícios vão seguir os requisitos e, pelo mercado, o
processo talvez seja mais lento do que através de medidas regulatórias.”
“A etiquetagem é um aliado no cumprimento da lei que
determina padrões mínimos de eficiência energética para equipamentos. As
próprias campanhas de informação do Procel estão fazendo com que as pessoas se
tornem mais atentas, conscientes de que o selo B pode representar certa
economia na hora da compra, mas que um equipamento mais eficiente (selo A)
proporciona esta economia no longo prazo, com a redução da conta de energia. A
questão é que o Programa de Etiquetagem se aplica apenas a alguns equipamentos
e não a todos – a proposta é que se amplie a abrangência de aparelhos, até
porque em vários casos a etiqueta é adotada voluntariamente pelo fabricante.”
Em sua dissertação Aline Tripodi também explica a
diferença entre a forma de cobrar a tarifa que se optou na Alemanha e no Brasil,
conforme artigo de Sigimoto (2013 apud Aline Tripodi 2013):
“Na Alemanha implantou-se a tarifa Feed-in, uma
garantia de compra da energia renovável gerada por um prazo mínimo e por um
preço estipulado. No Brasil, a resolução 482 da Aneel, de 2012, prevê outra
compensação, o chamado net metering, como instrumento principal: quem
instala na residência um sistema renovável ligado à rede, paga apenas a
diferença entre o que produziu e o que consumiu; e, havendo excedente, fica com
o crédito para os meses seguintes.”
Para concluir a autora da dissertação
deixa claro que, “o quadro regulatório no Brasil ainda precisa ser aprimorado,
para que medidas de eficiência energética e geração renovável se tornem
mandatórias para as edificações.”
4.2 Aproveitamento da energia solar em horas de pico de consumo de energia
O ponto primordial desta pesquisa é
pensar em como desenvolver um sistema que se integre ao projeto arquitetônico
desde a concepção, além de ser eficiente energeticamente e, sobre tudo, que
seja viável, não só na fase inicial de
investimento como também gerar economia para os moradores, seja da
residência, do edifício ou do comércio.
Por isso a pesquisa caminhou para avaliar
a economia nos horários de pico de uso de energia elétrica. Após explicar, em
capítulos anteriores sobre a nova resolução 482/2013 da ANEEL, e sobre como a
tecnologia fotovoltaica (para aquecimento de água e para geração de
eletricidade ligada à rede) trabalham individualmente.
Fica claro que o emprego desta
tecnologia nos projetos arquitetônicos poderá gerar benefícios para os consumidores
finais. Buscando fornecer subsídios para uma melhor compreensão sobre que tipos
de economia o sistema fotovoltaico poderá fornecer, aproprio das palavras de
Pereira e Gonçalves (2008, pp. 27) para a Revista Brasileira de Energia:
“A geração distribuída
de energia por intermédio dos sistemas fotovoltaicos integrados ás residências
ou edificações apresenta alguns benefícios. Um exemplo é o fato de serem
aliviadas as demandas energéticas de cargas com perfil de pico diurno, como
sistemas de refrigeração em edificações. Existe ainda a possibilidade de se
obter um ‘credito de energia’, resultado de uma instalação que injete mais
energia na rede do que consuma. Do ponto de vista de eficiência energética,
deve-se considerar que são reduzidas as perdas por transmissão e distribuição,
uma vez que o consumo de energia acontece no próprio ponto de geração.”
No trecho citado a cima, conclui se
que sistema fotovoltaico integrado a rede, além de proporcionar economia para
os moradores ainda evita o desperdício de energia, haja vista que esta geração
é in loco independe de fiação para
transportá-la. O que justificaria um ponto muito relevante nesta pesquisa é que
desde o início, a preocupação com a economia dos consumidores finais.
4.3 Porque os Arquitetos devem assumir um papel importante no Design Sustentável
Durante as pesquisas foram
encontrados trabalhos, teses, artigos sobre energia renovável e o sistema
fotovoltaico, em sua maioria, voltados para a engenharia elétrica. Entretanto,
segundo Keeler e Burke (2010) “As exigências da edificação sustentável estão se
popularizando rapidamente em todos os municípios dos Estados Unidos e do
mundo.”
No Brasil a Arquitetura
ainda não dispõe de leis que melhor regulamentam esta tecnologia, além da
cultura da população, que apesar de melhorar com o passar do tempo ainda é
muito restrita com relação a novas tecnologias. Um
dos grandes nomes da sustentabilidade, Hunter Lovins, certa vez disse que
a indústria da construção é "dinamicamente conservadora - trabalha duro
para permanecer no mesmo lugar."
Os autores Keeler e Burke tornam esta
pesquisa muito mais interessante, pois a principio seria apenas um sistema que
viabilizasse economicamente a vida dos moradores, agora se torna um desafio por
uma arquitetura melhor, para as cidades e para os consumidores finais. Neste
sentido Keeler e Burke (2010, pp.113) dizem que:
“Estas exigências arquitetônicas que estão
surgindo nos Estados Unidos e no mundo assumem diferentes formas, incluindo
incentivos de planejamento, que permitem uma maior densidade, e incentivos
financeiros para encorajar praticas de edificação sustentável. Nos EUA, alguns
governos municipais estão criando anexos para códigos locais (g.n.), com a
finalidade de adotar leis abrangentes sobre a edificação sustentável ou de
exigir o LEED para todas as edificações. O comprometimento em nível estadual
ficou evidente na Califórnia, com o Desafio 2030.”
No próximo capitulo será
tratada a questão da legislação de forma mais detalhada.
Ainda sobre o desafio 2030,
que trata diretamente com os Arquitetos por novos espaços arquitetônicos, por
menos gasto de energia. (HOSEY, 2013)
“Mas os velhos hábitos não podem resolver
completamente novos desafios. De acordo com a 350.org., as empresas de combustíveis fósseis
tem atualmente em suas reservas cinco vezes a quantidade de carbono que, se
queimado muito rapidamente, pode elevar as temperaturas atmosféricas para um
nível catastrófico onde, numa escala de destruição, as tempestades do furacão
Sandy poderiam se tornar comum. Mais rápido, o mais profundo progresso é
imperativo. Arquitetura está numa arena essencial para a inovação sustentável.
As construções representam cerca da
metade da energia anual e emissões nos EUA e três quartos da
eletricidade consumida. Com o ambiente da construção em crescimento, o parque
imobiliário dos EUA aumenta cerca de 278 milhões de metros
quadrados a cada ano; logo, os arquitetos têm uma oportunidade histórica
para transformar este impacto em algo positivo. Em 2006, o Instituto Americano de Arquitetos sabiamente
adotou a campanha de Arquitetura para 2030, "Desafio 2030", uma
iniciativa destinada a neutralidade de carbono na indústria em 2030. "Nós
acreditamos que devemos alterar as ações da nossa profissão", o compromisso da AIA 2030 diz,
"e incentivar os nossos clientes e todo o design e indústria da construção
civil a se juntarem a nós para mudar o curso do futuro do planeta."
É importante ressaltar que
nos EUA e em outros países como a Alemanha, o incentivo do governo é muito
importante para o desenvolvimento de novas tecnologias. No Brasil, como já foi
citado nesta pesquisa a opinião da Economista Aline Tripodi, em sua dissertação
de mestrado, o incentivo ainda é muito voluntário, na maioria das vezes através
de certificações. Assim Soares (2010, pp.38) faz uma comparação entre os
benefícios do Brasil em relação à Alemanha:
“O sistema de preços é o
mecanismo mais recomendado para promover as energias renováveis em países
desenvolvidos, mas principalmente em países que possuem necessidades básicas a
serem supridas, não justificando seguir um programa de incentivo as energias
renováveis onde haja um alto investimento inicial por parte do governo. No
Brasil, devido à existência de aproximadamente 18 milhões de consumidores
residenciais de baixa renda, o estudo parte do princípio de que apenas os
consumidores residenciais de classe média pagariam pelo programa de incentivo à
energia fotovoltaica, o que não se verifica no processo alemão devido aos seus
particulares cenário social e econômico.”
Conforme lemos acima, fica claro que
ainda o investimento não é para todos por ser uma tecnologia com um alto custo
para a implantação. Entretanto, fica claro que com o maior uso desta tecnologia
no Brasil, com incentivos do governo, além de uma alteração no código de obras e
também com aplicações em construções populares, o valor desta fase inicial será
minimizado em médio prazo. Não esquecendo que os projetos arquitetônicos
ficaram mais bem elaborados.
Com relação ao incentivo de novas
tecnologias no projeto arquitetônico, a mudança nos códigos de obra seria muito
relevante. O Brasil apresenta várias vantagens em relação à Alemanha e a outros
países na aplicação da tecnologia fotovoltaica e em mecanismos de incentivo as
energias renováveis, principalmente no que se refere aos níveis de irradiação
solar.
Acredita-se que, o que falta para
incentivar o maior uso desta tecnologia no País, é o investimento do governo em
novos sistemas, assim como o Kit Solar, para que o Projeto Arquitetônico já
pensasse no uso do sistema fotovoltaico desde o inicio. A utilização desta
tecnologia diretamente no projeto, assim como já acontece na Espanha é um
beneficio para o consumidor final, que além de ter um projeto bem elaborado
também terá com curto prazo uma economia significativa com a conta de energia.
As figuras 17 e 18 apresentam os
diferentes níveis de radiação solar na Alemanha e no Brasil. A titulo de
comprovar como a incidência solar no Brasil é muito mais significativa do que
na Alemanha.
Figura
16 – Atlas solarimétrico da Alemanha. Média anual da radiação global incidente
no plano horizontal
Fonte:
LABSOLAR – Laboratório de Energia Solar, Departamento de Engenharia Santa
Catarina – (2011, vol. 85. p.486)
Figura
17 – Atlas solarimétrico do Brasil. Média anual da radiação global incidente no
plano horizontal.

Fonte: LABSOLAR – Laboratório de Energia Solar,
Departamento de Universidade Federal de Engenharia universidade Federal de Santa
Catarina – (2011, vol. 85.p.486)
Segundo
os autores Salamoni e Ruther (2007), “É possivel verificar que mesmo a região
mais favorecida da Alemanha, em termos de radiação solar, apresenta
aproximadamente 1,4 vezes menos radiação do que a região menos ensolarada do
Brasil.”
Fica evidente que o Brasil reúne
condições necessárias e suficientes para instituir legislações de incentivo à
geração distribuída de energia, em particular a geração de energia solar
fotovoltaica conectada à rede. Para Soares (2010, pp.74):
“O que resultará em
um aumento significativo do consumo energético a partir da geração solar
fotovoltaica, tornando o país extremamente competitivo e conseqüentemente
promovendo a redução de custos e condições necessárias para que a energia
fotovoltaica se insira de uma forma competitiva no mercado.”
Comprovada essas condições brasileiras
de insolação, fica claro que o Brasil pode melhorar a postura diante das tecnologias
fotovoltaicas. Por que não começar pela legislação que está atrasada com
relação a estes novos sistemas. Este tipo de incentivo acaba por mudar a
postura e a cultura que a população tem frente a diversos temas relacionados
com a economia e o desperdício seja ele com energia elétrica, aproveitamento de
água, reciclagem de lixo e afins.
5 ECONOMIA DE ENERGIA E LEGISLAÇÃO
URBANÍSTICA
Antes de comparar as legislações entre
a Espanha e o Brasil cabe ressaltar a definição de Código de Obra, segundo o
professor Pinhal (2013):
“ Conjunto de leis
municipais que controla o uso do solo urbano.
O Código de Obras é
um instrumento básico que permite à Administração Municipal exercer
adequadamente o controle e a fiscalização do espaço construído.
Os novos conceitos do
Código de Obras estão incorporando artigos que visam assegurar conforto
ambiental, conservação de energia, acessibilidade das pessoas com deficiência
ou mobilidade reduzida com o objetivo de assegurar uma melhor qualidade de vida
para a população tanto da área urbana como da área rural do município.
O Código de Obras
estabelece normas técnicas para todo tipo de construção, definindo também os
procedimentos de aprovação de projeto e licenças para execução de obras, bem
como os parâmetros para fiscalização do andamento da obra e aplicação de
penalidades.
O Código de Obras
orienta observar além da legislação urbanística municipal, também as normas
existentes em distintos níveis de governo referentes à construção civil.”
Uma vez decidido a elaboração de um
projeto de edificação, seja ele residencial ou comercial, é importante
ressaltar que o próximo passo é a consulta junto aos Órgãos Públicos, em
particular à Prefeitura Municipal, sobre as exigências a serem consideradas
para a aprovação de tal projeto. Estas exigências, de maneira geral, estão
contidas no Código de Obra de cada Município. É importante que esta legislação
acompanhe as novas tecnologias e as necessidades de sua comunidade.
Procurando fornecer subsídios para uma
melhor compreensão da proposta que será apresentada na conclusão deste
trabalho, é relevante apresentar como referência o código obras da Espanha –
CTE Código Técnico de La Edificación. Esta lei é aplicada em toda Espanha,
sendo que é aplicada de forma específica por região.
Segundo definição do próprio código (2010):
“O
Código Técnico da Edificação (CTE) é o quadro regulamentar que estabelece os
requisitos que os edifícios devem obedecer em relação aos documentos básicos de
segurança e de habitabilidade, instituído pela Lei 38/1999 de 5 de novembro, a
Administração de Gestão de (LOE).
O
CTE procura responder às demandas da sociedade em termos de melhoria da
qualidade do edifício, enquanto prossegue melhor proteção dos utilizadores e
promover o desenvolvimento sustentável.
O CTE se aplica a novos edifícios, obras de ampliação,
modificação, alteração ou reabilitação.”
O CTE da
Espanha é dividido em duas partes, a primeira parte é subdividida em várias
seções, em cada uma das diferentes áreas a serem regulamentados, estabelecendo documentos
básicos a serem obedecidos no projeto e execução, tais como: segurança
estrutural, segurança contra incêndio, segurança e acessibilidade, saneamento
básico (salubridade), proteção contra ruídos, além de um dos focos deste
trabalho: Economia de Energia.
A segunda
parte é dividida em Documentos Básicos que são textos técnicos encarregados de
transferir o campo prático os requisitos detalhados na primeira parte do CTE. Cada um dos documentos incluídos e
limites de quantificação dos requisitos básicos e uma lista de procedimentos que
permitam cumprir os requisitos exigidos. Estes Documentos Básicos se dividem em:
DB SE: Segurança Estrutural. Por sua vez, é composto de cinco
documentos:
§ DB SE-AE: Ações na construção
§ DB SE-A: Estruturas Metálicas
§ DB SE-F : Estruturas de fábrica
§ SE-M DB: Estruturas de Madeira
§ DB SE-C: Fundamentos
DB SI: Segurança em caso de incêndio
DB SUA: Segurança na utilização e acessibilidade
DB HS: Saúde
DB HE: Economia de Energia
DB HR: Proteção contra o ruído.
O que interessa aprofundar nesta pesquisa é o
DB HE (CTE-DOCUMENTO BÁSIDO HE, 2010, tradução nossa):
“HE 1
REDUZIR DEMANDA ENERGÉTICA:
Os edifícios
disponibilizarão da energia necessária para o conforto térmico segundo as
características do clima da cidade.
HE 2
RENDIMENTO DAS INSTALAÇÕES TÉRMICAS:
Definirá no Projeto
do Edifício, as instalações térmicas segundo o bem estar de seus moradores.
HE 3
EFICIÊNCIA ENERGÉTICA DAS INSTALAÇÕES DE ILUMINAÇÃO:
Os edifícios
disponibilizarão de sistemas de iluminação adequada para cada ambiente, além do
uso da luz natural e equipamentos para utilizar a energia.
HE 4
AQUECIMENTO DE ÁGUA:
Nos edifícios com
demanda de água quente para sanitários e piscinas cobertas, deverão ter
aquecimento solar para atender as características de sua localização.
HE 5
CONTRIBUIÇÃO FOTOVOLTAICA MÍNIMA DE ENERGIA ELÉTRICA:
Os edifícios terão
que incorporar sistemas de captação e transformação de energia solar em energia
elétrica por tecnologias fotovoltaicas para o próprio sustento da rede.”
O objetivo deste Documento Básico do
CTE da Espanha é justamente a economia de energia nos edifícios, além de
conseguir que esta energia consumida seja solar e através da tecnologia
fotovoltaica. É importante ressaltar que o projeto arquitetônico é responsável
por atender estes itens acima para que seja aprovado pela Prefeitura e ter como
consequência, além da economia desejada uma energia limpa.
A legislação municipal brasileira não
dispõe de tais subsídios para exigir dos projetos arquitetônicos uma forma de projetar,
que além de atender os requisitos dos clientes, ainda possam oferecer um
sistema que venha economizar energia e ter soluções eficientes para energia solar.
Conforme será citado a seguir, nem
mesmo as prefeituras brasileiras tem um planejamento energético para que possam
se beneficiar, segundo comenta Martins (1999, pp. 31):
A atuação dos
municípios brasileiros, em termos de planejamento energético, tem se
restringido a serem consumidores de energia, em decorrência da falta de
experiência na gestão da energia e, principalmente, no desconhecimento do
potencial de economia da eficiência energética. Apesar de não serem
responsáveis pela geração e distribuição de energia, os municípios brasileiros
tem diversas possibilidades de atuação relativas à gestão própria da energia
elétrica.
É intenção desta pesquisa é propor uma
analise critica na legislação brasileira para que busque melhorar não só os
projetos arquitetônicos como também ter nestes projetos cunho sustentável e
social, haja vista que o uso do sistema fotovoltaico se dará a partir de uma
energia limpa e renovável e proporcionará uma economia para o consumidor final.
É papel do Arquiteto este interesse por melhorar seus projetos.
Levando em consideração tudo o que foi
dito neste capitulo, é importante ressaltar as alterações que algumas cidades
norte americanas vêm propondo para melhorar a qualidade da arquitetura local,
além de minimizar impactos ambientais e aumentar o uso de novas tecnologias.
Conforme foi escrito sobre estas mudanças nas legislações norte americano com relação
às novas construções sustentáveis, Keeler e Burke (2010, pp.55):
“A
legislação de São Francisco nos Estados Unidos sobre edificação sustentável
representa os esforços conjuntos do gabinete do prefeito e das secretarias
municipais de planejamento urbano e fiscalização de obras, junto com arquitetos
e engenheiros de renome e lideres dos setores imobiliários e da construção
civil. [...] descobriremos como o termo edificações
sustentáveis passou a se referir às edificações superiores às convencionais
em termos tanto de projeto como de construção...”
É importante lembrar que com o poder
público trabalhando junto com a arquitetura e a construção civil, a cidade
ganhará na qualidade das edificações.
6 SEMINÁRIO TCCI – EFICIÊNCIA ENERGÉTICA,
COM O ENGENHEIRO ELETRICISTA DA CEMIG FERNANDO ZACCHE
O
engenheiro eletricista Fernando Zacche Casotti, trabalha há 22 anos na CEMIG, e
durante o período de 2001 a 2002 ocupou o cargo de Engenheiro de Relacionamento
Comercial e Gestor de Projetos em eficiência energética com o programa EFICIENTTIA.
Este projeto é do tipo de Programas ESCOs (Energy services Company) que são
empresas de Engenharia, especializadas em Serviços de Conservação de energia, ou
melhor, promovem a eficiência energética, priorizando a redução de custos no
consumo de energia e água dos projetos.
O seminário sobre Eficiência Energética
foi realizado no dia 15 de outubro de 2013, às 16 horas com a presença
aproximada de 20 pessoas dentre elas haviam alunos, funcionários do Unileste além
de pessoas da comunidade.
O tema do seminário foi escolhido para
fornecer um maior suporte para o estudo que está sendo realizado nesta
pesquisa.
O palestrante falou sobre o programa
EFFICIENTIA – Eficiência e soluções energéticas. Este programa oferece ao mercado
soluções em eficiência energética voltada a redução dos custos das empresas.
(FOLDER EM ANEXO)
“Por meio de
contratos de desempenho viabiliza 100% do investimento para a realização dos
empreendimentos de eficiência e soluções energéticas, de forma que estes
recursos sejam recuperados única e exclusivamente com as próprias economias
comprovadas pela medição e verificação segundo protocolo internacional (IPMVP).
O cliente retorna o
investimento somente após o final da implantação e comprovação das economias.”
O tema foi tratado de uma forma leve e
objetiva, foram mostrados alguns cases
de sucessos, onde proprietários de empresas conseguiram uma redução significativa,
de custos com a conta de energia elétrica, em seus empreendimentos. Ficou claro
que o investimento é alto, mas após o pagamento deste investimento inicial a
economia é por tempo indeterminado.
Em alguns momentos o Palestrante
deixou clara a participação do Arquiteto no que diz respeito ao projeto
luminotecnico. Sempre creditando para este profissional a decisão de como e
onde pode ser utilizada a iluminação artificial, e nos casos das aberturas para
iluminação natural. Além de priorizar que o importante é que muito mais que um
bom projeto o Arquiteto deve pensar em como conceber um projeto que também gere
economia para o cliente.
Após a palestra foi entregue aos
participantes um folder com um breve resumo sobre o programa da Cemig, o
Efficientia, onde constam os pontos importantes da palestra. Logo após foi
aberto para perguntas.
Um fato muito interessante após as
considerações finais do palestrante, foi que a maioria dos presentes fizeram
perguntas sobre como ter economia nas contas de energia. Algumas dicas foram
dadas, tais como:
- usar eletrodomésticos mais
econômicos,
- o aquecimento de água é muito
importante para a redução da conta de água,
- a utilização do sistema fotovoltaico
interligado a rede, que é um tema recorrente nesta proposta também foi muito
comentada, pois apesar do investimento ser alto após o pagamento a economia de
energia é por tempo indeterminado.
7 CONCLUSÃO
Existe uma grande preocupação em se
desenvolver no setor energético novas tecnologias. É necessário que estas
tecnologias sejam eficientes e economicamente viáveis, além de responsáveis, sob o ponto de
vista do meio ambiente, ou seja, procurem ao máximo, evitar agressões e
impactos negativos ambientais.
Embora se tenha uma gama de opções de
fontes renováveis de energia, a utilização do sistema com células fotovoltaicas
se torna uma alternativa mais eficiente por ter o sol como uma fonte de energia
inesgotável. Especialmente no Brasil esta tecnologia deveria ser mais incentivada,
pois há elevados e uniformes níveis de irradiação solar. Este incentivo de deve
ao seu enorme potencial frente a outros países como a Alemanha, que apesar de
baixos níveis de irradiação solar, se destaca como um grande absorvedor desta
tecnologia.
Com relação a viabilidade econômica, ainda
não se pode dizer que a utilização da energia fotovoltaica seja viável
economicamente, para Soares (2010, pp. 74): “... acredita-se que, em breve, o
Brasil se tornará um país com tecnologia concreta, consolidada e com elevada
capacidade de produção, fazendo com que essa energia renovável seja amplamente
difundida e fortemente empregada.”
Os dados examinados nesta monografia
vieram consolidar os objetivos que nortearam o presente trabalho. Será
desenvolvido no TCC 2 o projeto / metodologia de aplicação de um Kit Solar que
integre aquecimento solar, eletricidade e iluminação, além de estar acoplado ao
projeto arquitetônico para: promover a substituição da energia convencional e
permitir uma redução nos gastos do consumidor final.
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ANEXOS
- Folder distribuído no 1º SEMINÁRIO
DO TCC 1, ministrado no dia 15/10/2013.


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